Quarta-feira, Novembro 19, 2008
Marley Costa Leite
Destaque Cultural em 2008
Sábado, Setembro 27, 2008
Benedicite
A dúvida tomava conta do coração de Maria. Ainda não havia decidido se iria ao encontro ou não, mas prefere estar pronta para o acaso. Tenta lembrar dos exercícios respiratórios, das técnicas de relaxamento, de cores tranquilizantes, mas ainda assim seu ritmo continua descompassado. Era agora ou nunca mais.
Ela chega ao restaurante e o vê de costas no mirante, observando as luzes da cidade. Está em forma, discretamente vestido, e assim de costas, a única coisa que ela pode observar é que os cabelos se tornaram grisalhos. Sente ímpetos de ir ao seu encontro e abraçá-lo, falar da sua saudade, mas sente-se grudada ao chão, com os pés de chumbo. Pensa em voltar para trás.
De repente, o rosto de Maria se ilumina. Aquele encontro, adiado tantas vezes, finalmente acontecia. Ele se volta e seus olhos se cruzam. Ela estava ali, diante do homem que povoou sua mente e protagonizou seus sonhos. Não sabia como reagir, não sabia se expressava sua felicidade ou se deixava ser tragada pela timidez. Ele a olhava como se olha a uma deusa, até que vencido o impacto inicial, ele lhe estende a mão e sorri com leve discrição ao perceber que a dela está gelada. Maria e João vivem aquele momento como se fosse o primeiro em suas vidas. O encantamento que os envolve parece tão denso quanto o tempo de espera.
João e Maria começaram a escrever a sua história em outro tempo. Jovens e imaturos foram vítimas do próprio medo, prisioneiros do destino. Talvez o mesmo destino que se encarregava agora de promover um novo encontro.
Foi um jantar simples, romântico, nostálgico, cheio de lembranças. Tudo que era ruim e feio foi esquecido em alguma curva do tempo. Viveram vidas separadas, sofreram os reveses do dia-a-dia, mas conseguiram se manter com o coração puro, sem mágoas, prontos para vibrar diante da simplicidade daquela noite de lua cheia, apreciada no ponto mais alto da cidade.
O vento frio ajudou a aproximar os corpos sedentos de afeto. Maria aconchegou-se àquele peito forte, o perfume gostoso e másculo a deixava inebriada, as mãos seguras lhe davam a certeza que não estaria mais só. Envelheceriam juntos. Acabaram sendo poupados da parte dolorida de todos os relacionamentos.
Uma noite fria, uma lua cheia, um casal maduro, uma esperança, um final feliz.
Segunda-feira, Setembro 22, 2008
A força do perdão
Esparramada sozinha na cama de casal, entre quatro travesseiros, aproveito a manhã de chuva para um passeio no interior de mim.
Os últimos tempos não foram convidativos para esses mergulhos, mágoas, impaciência, são sentimentos que fecham os portais
e me jogam para um isolamento cada vez mais difícil de romper. Não conseguir me ler, de alguma forma, impede-me de me escrever.
Se não me escrevo, também não me leio e acabo perdida dentro de uma teia tecida por mim mesma.
Busco a saída, mas os momentos de luz se tornam raros.
Eu errei. Sou errada em tudo que faço. Afoguei meu ser, sufoquei minhas palavras. No fundo eu queria usar a linguagem que ele entenderia.
-Perdão, ouço, sem identificar quem me fala.
Aconchego-me ainda mais ao travesseiro, indecisa se é isso mesmo o que quero.
Essas vozes são incômodas e, na maioria das vezes, é muito mais fácil encerrar esses papos com o meu inconsciente com um ríspido bloqueio.
Espreguiço-me languidamente, levanto-me, abro a janela para ver melhor o dia, respiro o ar molhado, encanto-me com
o violeta das flores da quaresmeira, encaminho-me para o banheiro com a decisão tomada. Ele foi claro. Sabe usar bem sua forma de expressão.
Esta manhã escura, chuvosa, fria, tem um mérito. Trouxe-me de volta à vida.
Saio com o meu sorriso do seu caminho. Não quero dor. Na minha cabeça martela o trecho que não foi cantado...
"É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor".
Perdoando a mim mesma perdôo a quem me magoou.
Eu me perdôo!!!
Domingo, Setembro 21, 2008
Primavera
Alice Capel
A primavera chegou.
A nuvem cinzenta do inverno
dá um tímido e silencioso
toque de adeus,
levando consigo quimeras
que se dissiparam.
Há expectativa de felicidade
no cântico matinal dos pássaros
e no encanto das flores que se desabrocham
coloridas.
As canções da natureza calam em nós
como seiva revitalizadora
das flores sugadas pelo beija-flor.
Tudo é alegria!!!
Ora, há translúcida luz do sol
iluminando toda a natureza,
ora,há chuva que nos purifica
e revitaliza nossas almas
em aconchego interior.
Os trovões e os relâmpagos
ainda nos intimidam como sinal
de alerta de que nada é eterno.
Porém, é primavera.
Que ela faça renascer em nossos
corações a alegria de vivermos
em harmonia com toda
a natureza.
Sábado, Setembro 20, 2008
Sou flor
Para viver a Primavera
Ainda plantada em solidão
Tornei-me frágil vegetal
Brinquei então de flor
Em meio a borboletas
Fui flor-botão
Flor-perfume, flor-beleza
de coloridos matizes
Estive no bouquet
Que celebrava a Vida
Estive na coroa
Que reverenciava a Morte
Adornei as juras escondidas
Consolei as lágrimas de saudade
Frágil, feneci sozinha
Num solitário de vidro
Na mesa de um jornal.
A flor e o espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
Segunda-feira, Abril 14, 2008
http://www.youtube.com/watch?v=VblAfsjKIWQ&feature=related
Ma Plus Belle Histoire d’Amour
Barbara
Du plus loin, que me revienne,
L’ombre de mes amours anciennes,
Du plus loin, du premier rendez-vous,
Du temps des premières peines,
Lors, j’avais quinze ans, à peine,
Cœur tout blanc, et griffes aux genoux,
Que ce furent, j’étais précoce,
De tendres amours de gosse,
Ou les morsures d’un amour fou,
Du plus loin qu’il m’en souvienne,
Si depuis, j’ai dit “je t’aime”,
Ma plus belle histoire d’amour, c’est vous,
C’est vrai, je ne fus pas sage,
Et j’ai tourné bien des pages,
Sans les lire, blanches, et puis rien dessus,
C’est vrai, je ne fus pas sage,
Et mes guerriers de passage,
A peine vus, déjà disparus,
Mais à travers leur visage,
C’était déjà votre image,
C’était vous déjà et le cœur nu,
Je refaisais mes bagages,
Et poursuivais mon mirage,
Ma plus belle histoire d’amour, c’est vous,
Sur la longue route,
Qui menait vers vous,
Sur la longue route,
J’allais le cœur fou,
Le vent de décembre,
Me gelait au cou,
Qu’importait décembre,
Si c’était pour vous,
Elle fut longue la route,
Mais je l’ai faite, la route,
Celle-là, qui menait jusqu’à vous,
Et je ne suis pas parjure,
Si ce soir, je vous jure,
Que, pour vous, je l’eus faite à genoux,
Il en eut fallu bien d’autres,
Que quelques mauvais apôtres,
Que l’hiver ou la neige à mon cou,
Pour que je perde patience,
Et j’ai calmé ma violence,
Ma plus belle histoire d’amour, c’est vous,
Les temps d’hiver et d’automne,
De nuit, de jour, et personne,
Vous n’étiez jamais au rendez-vous,
Et de vous, perdant courage,
Soudain, me prenait la rage,
Mon Dieu, que j’avais besoin de vous,
Que le Diable vous emporte,
D’autres m’ont ouvert leur porte,
Heureuse, je m’en allais loin de vous,
Oui, je vous fus infidèle,
Mais vous revenais quand même,
Ma plus belle histoire d’amour, c’est vous,
J’ai pleuré mes larmes,
Mais qu’il me fut doux,
Oh, qu’il me fut doux,
Ce premier sourire de vous,
Et pour une larme,
Qui venait de vous,
J’ai pleuré d’amour,
Vous souvenez-vous ?
Ce fut, un soir, en septembre,
Vous étiez venus m’attendre,
Ici même, vous en souvenez-vous ?
A vous regarder sourire,
A vous aimer, sans rien dire,
C’est là que j’ai compris, tout à coup,
J’avais fini mon voyage,
Et j’ai posé mes bagages,
Vous étiez venus au rendez-vous,
Qu’importe ce qu’on peut en dire,
Je tenais à vous le dire,
Ce soir je vous remercie de vous,
Qu’importe ce qu’on peut en dire,
Je suis venue pour vous dire,
Ma plus belle histoire d’amour, c’est vous..
Domingo, Março 23, 2008
Água Viva
Era uma vez uma mulher que sonhava com seu amado a bater à porta, espetado pelos espinhos das roseiras do seu jardim, com a cabeça orvalhada e gotejando sereno. Queria passear com ele no canteiro dos bálsamos para colher folhas de mirra. Ela era como um jardim fechado, uma fonte lacrada. Seu corpo exalava desejo, bailava em seus delírios sentindo-se contemplada. Acordava ouvindo coro de anjos, em êxtase. Era sim, uma fonte que jorrava água viva. Não abriu a porta. Entrou na dança do tempo.
Moral da História: Se flores não brotam, o tempo da poda sempre chega.
Domingo, Março 09, 2008
A menina cor-de-rosa
Era uma vez uma menininha cor–de-rosa que vivia na concha furta-cor de um caracol e ousou empreender viagem para além dos seus limites. Conheceu serpentes corais, flores amarelas, insetos vermelhos, animais verdes, homenzinhos azuis. Cada um com quem se encontrava profundamente lhe transformava, modificava sua cor, fazia-a viver milhões de emoções em um só dia. Aprendeu a pensar com o coração, agir com a emoção e vencer com o amor. Aprendeu a hospedar pessoas em seu próprio ventre e a ter paciência para esperar nascer. Aprendeu a dar asas, ensinar a voar e deixar partir. Transformou em luz e sorriso as dores e incompreensões que carregou na alma e aprendeu a ter sempre à disposição um ombro forte a oferecer. E foi assim que a menininha cor-de-rosa se descobriu mulher e foi morar no arco-íris.
Moral da história: Para ser é preciso ousar.
Sábado, Março 08, 2008
Iluminação
Era uma vez um homenzinho azul que vivia na escuridão. Saía de casa toda noite para buscar o diamante do sol e voltava ao raiar do dia, mergulhado em sombras. Só vislumbrava a luz em noites enluaradas. E homenzinho azul que vivia na escuridão passou a vida dormindo de dia sem entender o tempo e morreu distante da luz, distante do sol.
Moral da história:
Quem procura a luz fora de si não se transforma em estrela.
Domingo, Fevereiro 24, 2008
Quem foi
Marisa Monte
Composição: Marisa Monte, Marcelo Yuka
Quem foi que me deixou
No limite do amor
Entre o lar e a morada
Eu estou entre o adeus
E a contrapartida
No meio do fio
Na corda bamba, é o amor
Entre risos nervosos
Tenho os olhos meus
Sobre os sonhos teus
Deixa o coração
Ter a mania de insistir em ser feliz
Se o amor é o corte e a cicatriz
Pra quê tanto medo
Se esse é o nosso jeito de culpar o desejo
Segunda-feira, Dezembro 24, 2007
Assim Caminha A Humanidade
Lulu Santos
Ainda vai levar um tempo
Pra fechar o que feriu por dentro
Natural que seja assim
Tanto pra você quanto pra mim
Ainda leva uma cara
Pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
Com passos de formiga e sem vontade
Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais
Não te quero mais
Não mais
Nunca mais
Quarta-feira, Setembro 19, 2007
Van Gogh
Elis Regina - Casa No Campo
Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais!
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos meus livros e nada mais!
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais!
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
Fera Ferida
Caetano Veloso (?) ou Roberto e Erasmo(?)
Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes no peito atingido
Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você
Eu sei quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei, o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não me esqueci
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Eu andei demais
Não olhei pra trás
Era solto em meus passos
Bicho livre, sem rumo, sem laços
Me senti sozinho
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar, um amigo
Animal ferido
Por instinto decidido
Os meus rastros desfiz
Tentativa infeliz de esquecer
Eu sei que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes
Eu sei que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração
Sou fera ferida
No corpo, na alma e no coração